quinta-feira, 29 de maio de 2014

Tal moça existe ?


Antes de pensar no que digo, digo o que penso.
Ah essa moça! Essa moça não tem umbigo.
Que isso meu caro amigo?
É o que afirmo, sem umbigo.
Não diga isso, umbigo é o órgão do corpo mais humano.
Órgão do corpo mais humano? Não sabes o que diz velho amigo.
O umbigo, exibe um sentimento muito antigo, o sentimento da sobrevivência.
Sobrevivência? Não venha com essa...
Sim, nos lembra da nossa importância, que somos mais importante que o outro. Por isso eu digo que não existe pessoa sem umbigo.
Não perco meu tempo com descrentes.
Descrente não. Isso é mito, uma moça sem umbigo simplesmente não é possível.
Possível sim, talvez não seja comum, uma sobrevivente sem umbigo.
E como seria um moça assim?
Assim um sorriso largo e sincero.
Assim um abraço amigo e apertado e tão generoso que se sente a alma ficar doce.
Estou maravilhado meu amigo, e como faço para conhecer pessoa tão especial?
Não pode.
Não?
Ela vive no terceiro andar de uma torre guardada por um guerreiro da bola que tem olhos enormes uma família de zangados.
Mas ela não tem amigos?
Sim, muitos, que fazem parte de uma seleta lista de felizardos que usufruem de seus conselhos, seu ombro para as horas de tristeza e principalmente de suas tiradas sempre tão inteligentes e irônicas.
Mas, assim, fica difícil comprovar a existência dessa moça generosa sem umbigo.
É meu caro amigo, fica sim. Mas tenho certeza que você ainda conhecerá outras pessoas (não muitas, claro) que assim como eu confirmarão o que digo.
Uma moça sem umbigo por certo tem um nome.
Sim mas eu não digo. Uma dica por pura clemencia seu nome tem o nascimento como fonte de inspiração.
Isso é uma bobagem meu amigo, essa moça que você pensa conhecer é apenas um mito.
Então fica com o mito, meu caro amigo, que eu fico com a felicidade de conviver com uma pessoa linda, mas tão linda que o sol pede licença as nuvens só para ver ela passar.

Do Pai, que te ama tanto e sempre. Beijos incontáveis 



Ps: Texto escrito para Nathalia Moore quando participou do EJC Maio de 2014.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Dalton Trevisan

O que não me contam eu escuto atrás das portas.
Dalton Trevisan


Foi na livraria Van Damme, aqui em Belo Horizonte, que fui apresentado a Dalton Trevisan, isso já faz uns dez anos. Entrei pela primeira vez na livraria sem grande pretensões. Um senhor claro de nome cinematográfico me atendeu perguntado pelo meu interesse. Disse que procurava um livro de Nelson Rodrigues e no decorrer da conversa comentei que escrevia contos. Sr. Van Damme falou-me de Dalton Trevisan e do grande contista que ele é. Comprei o livro de Nelson Rodrigues e Violetas e Pavões de Dalton Trevisan.

Ainda se fala pouco deste extraordinário contista, por isso, darei minha contribuição. Dalton Trevisan é famoso por ser quase que exclusivamente contista, não fosse por um único romance que escreveu “A Polaquinha” em 1985. Curitibano e formado em direito vive uma vida reclusa e sempre que possível afastado da mídia. Recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura, pelo conjunto de sua obra. A publicação do seu livro "O Vampiro de Curitiba" (1965), sua obra mais famosa, e seu temperamento recluso acabou por lhe conferir a alcunha de vampiro de Curitiba. Ainda jovem, com pouco mais de vinte anos, foi editor da revista Joaquim, que foi publicada entre 1946 e 48. De cunho literário, contava com participantes ilustres tais como: Otto Maria Carpeaux, Mario de Andrade e Antônio Cândido.

É importante ressaltar que ele foi ganhador da 24ª edição do Prêmio Camões anunciado em 21 de maio de 2012. Dalton Trevisan foi eleito por unanimidade. O Prêmio Camões é uma das maiores honrarias para autores da língua portuguesa. É uma parceria entre os governos do Brasil e de Portugal, e a cada ano acontece em um dos dois países.

Dalton Trevisan é sem dúvida um dos maiores nomes da literatura brasileira, sua obra é traduzida para vários outros idiomas. Vale a pena conhecer seus livros.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Página em branco

É comum um escritor iniciante considerar o que escreveu algo definitivo. Talvez isso não passe de um sentimento imposto pela recente cultura da escrita, que nos últimos anos considera o escrito como algo “sagrado” lavrado e não modificável. O que quero dizer com isso é que a página em branco não é o fim e sim o começo. 

O cinema costuma apresentar o escritor como alguém que depois de ter uma ideia brilhante se senta de frente ao sua máquina de escrever ou computador e escreve ardorosamente, até que depois de cenas de flashback e lembranças, magicamente conclui seu romance e escreve The End. Não é bem assim que funciona. 

É claro que existem autores que são capazes de produzir grande histórias em pouquíssimo tempo, como foi o caso de Nélson Rodrigues que escreveu Vestido de Noiva em apenas uma semana. 

Minha sugestão é que não tenha medo de escrever e reescrever. Durante o processo de criação evite ser seu próprio crítico e editor, seja apenas o escritor. Não tenha pressa e não julgue o que escreveu sem antes investir tempo e dedicação ao seu texto. 

Neste espaço conversaremos mais sobre o prazer de escrever e o trabalho que isso nos exige. Por agora considere a página em branco sua melhor amiga.

Abraços e até a próxima semana.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Dicas de leitura

Nessa época do ano é normal aparecer as listas de livros para presentes de Natal. Então, também faremos a nossa de lista de sugestões com livros que estão sendo comentados:

Na categoria Contos, sugerimos:

Vida Querida de Alice Munro vencedora do Premio Nobel de Literatura de 2013. Contos textos vigorosos, personagens complexos e que terminam com 4 contos autobiográficos expoem ainda mais suas habilidades na criação literária.

Em crônicas:

Storynhas, livro de Rita Lee com ilustração de Laerte. O humor das postagens de Rita no Twitter aliados ao humor dos desenhos de Laerte, no mínimo uma parceria interessante.

A Graça da Coisa de Martha Medeiros. Já uma tradição o lançamento das crônicas que Martha escreve para os jornais O Globo e Zero Hora durante um ano são reunidos em um livro. Neste livro com 80 crônicas Martha aborda temas como felicidade e como conceitos preconcebidos podem nos prejudicar mais que imaginamos e por isso propõem um autoconhecimento como forma de vencer as dificuldades da vida.

Em ciência indicamos o livro
Subliminar - Como o inconsciente influencia nossas vidas de Leonard Mlodonow que ao contrário ao que espera de um cientista escreve de forma simples e de fácil leitura sobre um tema a princípio tão complicado, a neurociência.

Na categoria Infantojuvenil:
Mandela - O africano de todas as cores de Alain Serres é uma ótima oportunidade de transmitir e apresentar o grande líder sul-africano que foi responsável por emancipar uma nação servindo de exemplo para todas as nações do mundo.

Em Reportagem:
De Bento a Francisco - Uma revolução na Igreja de Luiz Paulo Horta, uma coletânea de artigos publicados em O Globo sobre as transformações da igreja.

Anatomia de um assassinato - A história secreta da morte de JFK de Philip Shenon. 50 anos depois de sua morte o presidente americano Kennedy ainda atrai atenção e pesquisa sobre os motivos reais sobre sua morte.


É claro que não podemos deixar de indicar os livros do Paulo Érico Canarim na categoria contos:
- Colar de Ossos e outras histórias  - contos diversos com histórias que ouviu dos centro da cidade, de quando criança, histórias que ouvi dizer. E entre elas o principal conto Colar de Ossos que conta a história de Tião e uma maldição que acontece num pequena cidade.

Contos Eróticos para ler a 2 - Neste livro Paulo Érico se aventura por história que envolve o erotismo o que foi um trabalho delicado pois se viu diante de certas amarras que por vezes o travaram. Vencido esta etapa Paul escreveu 21 contos eróticos e contou com a colaboração de Madame Red que escreveu dois contos inéditos para o livro e com a preciosa arte de Heliana Rucco em seis ilustrações que complementam o livro.



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